Melhor momento



            Estava a me perguntar qual seria o melhor momento da vida. É comum a comparação dos períodos entre a infância e a velhice, quando se pondera a falta de tempo com o excesso de energia, assim como seu inverso. Discute-se também sobre a carência financeira na juventude, que possivelmente é suprida na idade adulta, porém o tempo para o aproveitamento é inexistente.

            A vida carrega esse sentido complexo, a exigir sacrifícios e, cada vez mais, exercício do equilíbrio. Presumo ser um dos maiores desafios do indivíduo contemporâneo, quando se vê deparado com suas capacidades, oportunidades e, do outro lado, a impossibilidade de realização por império do tempo, do dinheiro, dos outros... Torna-se um desafio pelo fato de que, hoje, mais do que nunca, o ser humano é dotado de uma razão ímpar e, sobretudo, do sentimento de dever moral.

            Apesar de negado por tantos, o dever, inerente à consciência, sempre conclama atenção, a nos incomodar constantemente quando algo não é feito como deveria, ou seja, feito de maneira altruísta. Confundem aqueles que pensam o dever ser o total esquecimento de si mesmo em prol das necessidades alheias. Vê-se, nesse comportamento, a autonegligência, que nada tem de construtivo ao ser. Pelo contrário, destrói o indivíduo da mesma forma com que o egoísmo dilata o ego em proporções padecedoras.

            Tornando ao pensamento sobre o melhor momento da vida, tento me recordar de todos os tempos que já vivi desde minha infância. Contemplo a importância de cada um no meu desenvolvimento, assim como os deveres que tive e tenho, como todos os têm, e percebo a necessidade da atenção às cousas que sucedem no momento.

            O que se foi, deveria ser feito. Se foi ou não, passou. Assim é o passado, uma lembrança dotada de saudade ou repulsa, de orgulho ou arrependimento.

            Quanto ao porvir, trata-se de um mistério. É sabido que haverá compromissos a serem cumpridos, mas tudo ao seu tempo. Que os dias tragam, na sua hora, as responsabilidades que nos cabem, e que nós saibamos acompanhar seu momento...

            Entre idas e vindas temporais, enfim, deparamo-nos com o que eu diria ser o melhor momento da vida: o agora. Único que nos merece maior atenção, pois que possui especial e duplo papel, o de reparar ou completar o ontem, e o de construir o que o amanhã requererá.

Por se falar em dever, é impossível se agarrar à crença vazia dos que se prendem ao viver inconsequente, baseados na justificativa do agora ser tão importante. É necessário rever o que se considera viver e, dentro das possibilidades, alcançar o equilíbrio, a fugir de um extremo, o egoísmo, e do outro, a negligência.

Entre o passado e o futuro, há um presente!




Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.